Diretor do Iecine fala de seus projetos em entrevista ao JC

Confira a entrevista que o Jornal do Comércio fez com o diretor do IECINE, Luiz Alberto Cassol:

 

Texto de Ricardo Gruner

Foto de Marco Quintana/JC

Link original: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=64680

 

Alternativas para o protagonismo

Alberto Cassol quer expandir sessões gratuitas em municípios que não contam com salas comerciais.

De cara e casa nova. Assim pode ser definido o momento atual do Instituto Estadual do Cinema do Rio Grande do Sul (Iecine-RS). No ano em que a entidade completa um quarto de século, sua sede é transferida do Centro Administrativo para a Casa de Cultura Mario Quintana e um novo diretor assume a gestão, Luiz Alberto Cassol, realizador, produtor e defensor das causas relacionadas à classe cinematográfica.

Chamado ao cargo pelo secretário da Cultura, Luiz Antonio de Assis Brasil, ele terá de encarar o que define como “um desafio interessante”: retomar o protagonismo da entidade em cenário local, nacional e até sul-americano.Com experiência de presidente do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, coordenador do Festival de Cinema de Santa Maria e participante de duas gestões da Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos do Estado, Cassol se reúne semanalmente com a Secretaria de Estado da Cultura, à qual já apresentou um planejamento estratégico para ser incluído nos planos plurianuais. A partir de 2012, os projetos do Iecine, cujo papel é fomentar as políticas públicas do audiovisual gaúcho, serão inclusos no orçamento do Estado, o que não acontece neste ano.“É algo herdado da administração pública anterior, mas nem nos cabe. Faço questão de defender o Ivo Czamanski, quem me antecedeu e tentou fazer o máximo possível”, salienta o novo diretor, frisando que a situação pode ser contornada: “Através de boa vontade, parcerias e transversalidade – pensamento que o governador e o secretário pedem sempre -, estamos alcançando metas”.

Com essa mentalidade, o gestor pretende restabelecer o Prêmio Iecine (parado nos últimos anos) de R$ 80 mil para cinco curtas selecionados e já conseguiu cumprir a primeira prioridade: a retomada do RodaCine, que promove sessões gratuitas de cinema brasileiro em municípios que não possuem salas comerciais. Depois de contatos com Cícero Aragon, presidente da Fundacine, um dos dois furgões responsáveis por este serviço de exibição foi reformado, e o segundo se encaminha para ter o mesmo futuro. Outro dos planos de Cassol é a criação de um circuito exibidor de filmes gaúchos, algo que exige mais tempo e financiamento: “Como realizador (mantém a produtora Filmes de Junho), sinto que precisamos de alternativas para que os filmes cheguem ao público, já que ficam apenas uma ou duas semanas em cartaz. Tenho absoluta convicção de que as pessoas só não assistem mais a obras brasileiras ou gaúchas porque não conhecem”, lamenta.

A solução que ele propõe é a criação de cinemas de rua, de até cem lugares, com ingresso a preços entre R$ 2,00 e R$ 5,00, em modelo multiúso, recebendo também espetáculos. De acordo com o diretor, tanto os municípios quanto a iniciativa privada poderiam se apropriar dos locais, cabendo ao Iecine criar as ferramentas, seja através de incentivos ou de editais, para a criação de modelos populares. “Apenas 8% do povo brasileiro tem acesso a cinemas em shopping. Temos de dar oportunidade aos outros 92%, o Estado deve financiar a concepção dessas salas para democratizar a arte e dar chance para o público conhecer a filmografia gaúcha”.

Diante deste panorama em que o norte é a mudança, a Cinemateca Paulo Amorim, na CCMQ, servirá como um braço de apoio ao Iecine, e até por isso justifica-se a transferência da sede. Após Antônio Carlos Textor deixar a direção da Cinemateca, há duas semanas, Cassol também a assumiu de forma interina. Sua intenção é manter o perfil cultural das três salas ali presentes (Paulo Amorim, Eduardo Hirtz e Norberto Lubisco) e buscar uma empresa que patrocine a possibilidade de um final de tarde com curtas e debates no final de cada mês.

Fortalecimento no Mercosul

Em termos internacionais, o ano começou movimentado para o Iecine-RS. O diretor Luiz Alberto Cassol esteve no Uruguai e no Paraguai para firmar acordos que aproximam o cinema realizado no Rio Grande do Sul com o do restante do Mercosul.

A partir de encontro com o presidente do Instituto de Cinema e Audiovisual do Uruguai, Martín Papich, ficou definido o início de uma negociação de intercâmbio. Nos próximos dois anos, haverá uma mostra com obras gaúchas no país vizinho, e produções realizadas lá serão exibidas aqui, além do acontecimento de um seminário em comum nos dois países.

Também em solo uruguaio, foi estabelecido o ingresso do Iecine na Red de Circulación de Contenidos Audiovisuales, que reúne todas as organizações e instituições que promovem e divulgam o cinema uruguaio.
Já em Assunção, capital paraguaia, Cassol oficializou a entrada do instituto no Fórum Entre Fronteiras, que engloba entidades audiovisuais da Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. O objetivo deste encontro é aproximar os produtores e promover um circuito de exibição entre as nações participantes.

“Essa agenda conjunta me interessa muito, porque proporciona uma participação mais efetiva nas políticas públicas no âmbito do Mercosul!”, empolga-se ele, que ainda adianta as novidades: “Em junho já teremos o lançamento de uma película do Uruguai e, em julho, de quatro documentários do Fórum Entre Fronteiras”.

 

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